Cássia Maria Carloto
Em reposta ao artigo da socióloga Silvana Mariano, questionando de forma oportuna o caráter democrático e público do debate sobre o aborto realizado na Câmara de vereadores no ultimo sábado, o deputado André Vargas, afirma que “em nenhum momento nos negamos a discutir outras posições”. Pois é, mas não foi isso que saiu na reportagem da Folha de Londrina no dia 21.08.2007. A reportagem informa que “o debate deverá dar inicio a uma série de atividades de mobilização contra o aborto”, questionado pelo jornal se o debate seria aberto a ponto de vistas contrários, o petista sinalizou “Nesse momento, não, mas prevemos um seminário depois”. Ora diante desta afirmação várias pessoas como eu, consideraram que, a não ser para fazer uma manifestação que obstruísse o “debate”, não teria porque comparecer, já que ficou claro na declaração do deputado que não seria aberta a palavra a quem não pensa como ele, atitude bastante democrática. Duas interrogações passam pela minha mente, ele falou uma coisa no dia 21 e outra no dia 31, ou foi o jornal que informou os leitores errado? Segunda questão, o parlamentar sabe o significado da palavra debate? Esclareço, segundo o Grande Dicionário Larousse Cutural, debate significa ação de discutir uma questão alegando razões pró ou contra; discussão, polêmica (pg.289). Uma terceira questão é que se ele sabe que enquanto parlamentar ele representa seus eleitores, como é própria da democracia representativa, cujo instrumento é o voto, e que deve “representar todos”, não só quem pensa como ele. Eu fui uma das pessoas que votei neste senhor, e estou profundamente decepcionada com o uso eleitoreiro que ele está fazendo de uma discussão tão séria, que envolve a vida de milhares de mulheres, mulheres pobres que morrem sem ter tido acesso a programas de planejamento familiar, a orientações e acesso sobre métodos contraceptivos e sexualidade. Quantos projetos ele tem de sua autoria que contribuíram para a prevenção de gravidez indesejada. Quantas mulheres que tiveram que passar por uma situação dolorosa de aborto, ele tem escutado e feito um “debate”, para poder falar em nome delas? Também estou aberta a debater sobre a vida das mulheres, sem nenhum interesse que não seja uma vida digna, onde a escolha esteja respaldada por programas e projetos que realmente previnam abortos.
Cássia Maria Carloto – Docente do Depto de Serviço Social da UEL.