
A estrutura de poder não
é uma abstração, ela se materializa em situações
objetivas de posse de riqueza, se reproduz e se consolida graças
a redes políticas, sociais e de parentesco. As redes políticas
de poder são conexões de interesses envolvendo,
basicamente, empresários e cargos políticos no aparelho
de Estado, no executivo, legislativo e no judiciário e,
também, em outros espaços de poder buscando assegurar
vantagens e privilégios para os participantes. Além
da ideologia que lhe reforça a legitimidade, as redes podem
utilizar artifícios tais como o nepotismo, o clientelismo
e a corrupção.
O estado do Paraná é
apresentado como exemplo de modernidade, de racionalidade, de
adesão aos valores e às práticas de um capitalismo
regido pelos princípios de impessoalidade e de eficiência.
Na verdade, isso não passa de um mito. Há famílias
que detêm poder e riqueza na atualidade, mas que estão
associadas aos interesses dominantes há quase 300 anos.
Nomes ilustres da política e da economia compõem
uma surpreendente e intricada rede de relações familiares,
de parentesco e de privilegiamento que assegura a estrutura do
poder nas mais diversas conjunturas econômicas e políticas.