Jornal
do Movimento Londrinense Contra a Repressão - abril de 2008
Manifesto
de fundação do Movimento Londrinense
Contra a Repressão
Conheça e participe
Prisão e processo contra militantes
do Comitê pelo Passe Livre
O Caso Zequinha
“A morte de
Jamys não pode morrer”
Na corda bamba da democracia
Patrulha escolar
Polícia espanca e prende comerciantes na Vila Casoni
,
Manifesto de
fundação do Movimento Londrinense
Contra a Repressão
As organizações que assinam este manifesto
propõem a imediata criação de um MOVIMENTO LONDRINENSE
CONTRA A REPRESSÃO para enfrentar a Política de Estado
de criminalizar e reprimir os movimentos sociais, da pobreza e da juventude.
Esse processo repressivo que utiliza a polícia e o judiciário
tem se manifestado nacionalmente nas invasões das universidades
pela polícia (Universidade Federal do Paraná, PUC-SP,
Universidade Federal da Bahia, Fundação Santo André,
etc.), nas ações em morros, favelas e bairros de periferia
em que moradores têm seus direitos humanos violados sistematicamente
e, muitas vezes, são sumariamente executados. Também é
observável na militarização dos colégios
e na repressão a movimentos sociais e políticos no campo
e nas cidades. Além da violência policial, utilizam-se
também de liminares e outras restrições ao direito
de manifestação, e de processos judiciais contra militantes,
que geralmente são enquadrados em crimes como formação
de quadrilha e incitação ao crime apenas por defenderem
a organização dos trabalhadores e da juventude por seus
direitos.
Em Londrina, esse processo avança a passos largos.
Já temos muitos exemplos de abusos da polícia nos bairros.
Raphael Bezerra da Silva (filho do ex-jogador de futebol José
Carlos da Silva, o Zequinha) foi assassinado aos 20 anos de idade, em
2004. Ele teve 14 ferimentos à bala, no tórax, braço
e ombro, provocados por nove disparos de pistolas de alto calibre. Os
autores do crime são PMs que alegam terem o confundido com um
assaltante. Outro jovem trabalhador, Jamys da Silva, carregador do CEASA,
foi assassinado aos 20 anos por PMs, em 2005, a socos e botinadas, porque
o som em sua festa de aniversário estava alto. E estes não
são casos isolados. Expressam o modo de atuação
da polícia contra a juventude pobre.
A patrulha escolar também faz parte desse processo.
A revista nos colégios, como a que aconteceu no Colégio
Vicente Rijo, em novembro, demonstra o caráter repressivo dessa
ação e a militarização dos colégios
e a violação dos direitos de crianças e adolescentes,
que tiveram sua privacidade invadida e seus corpos tocados pelos 200
PMs que participaram da operação. A ação
truculenta da polícia em manifestações culturais
da juventude, como as festas de república, também compõe
este quadro de abusos.
Quanto à criminalização dos movimentos
já colecionamos fatos suficientes. Há uma liminar, desde
2006, da Grande Londrina contra o Comitê Pelo Passe Livre, Redução
da Tarifa e Estatização do Transporte Coletivo que proíbe
a realização de manifestações no terminal
e garagens. E em 29 de outubro de 2007, quatro militantes deste comitê
foram presos por panfletarem no terminal, recebendo agressões
verbais e físicas de seguranças privados e PMs. Além
de serem agredidos, estão respondendo a um processo criminal,
como se fossem os agressores.
Na UEL, a reitoria tenta impor um Plano de Segurança
repressivo e autoritário (que se traduz em cercamento/muro e
entrada da PM no campus). Esta ação contraria o caráter
público e autônomo da universidade e serve para reprimir
o movimento estudantil, o que já está sendo feito pela
reitoria, que procura intimidar estudantes que lutam, ameaçando-os
com fotos, filmagens e processos.
A repressão avança a cada dia, é
preciso dar uma resposta unificada. A cada ação abusiva
do Estado - por meio de seus agentes como o reitor, polícia e
judiciário – devemos responder com organização.
Mesmo que não tenhamos acordo quanto às lutas específicas
dos movimentos, é preciso defender as liberdades democráticas,
o direito à livre expressão, à greve, livre manifestação
e os direitos humanos.
O Movimento Londrinense Contra a Repressão será
uma frente aberta a todos aqueles que queiram se somar a esta luta.
Terá como objetivo defender as liberdades individuais e coletivas
contra a repressão, dar visibilidade a cada caso, buscar auxílio
jurídico, a partir das ações do movimento, para
combater abusos e arbitrariedades, e principalmente trabalhar pela articulação
dos movimentos, trabalhadores e juventudes para barrar este processo
de criminalização.
Londrina, 29 de novembro de 2007
--------------------------------------------------------------------------------
Denuncie!
contrarepressao@gmail.com
ADUEL (43) 3328 4549 (tarde)
Advocacia Vilson Machado (43) 3344 3009
DCE (43) 3371 4586
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Infelizmente, há muitos outros casos além
dos relatados no site do Movimento Londrinenese Contra a Repressão,
basta lembrar da morte de Anderson Amaurílio da Silva, atropelado
em uma manifestação contra a redução da
tarifa em 2003; dos assassinatos de trabalhadores rurais sem terra;
da atuação da polícia nas periferias como no Vale
Azul no ano passado, no Lindóia este ano, em que uma menina de
onze anos levou um tiro na cabeça.
Os casos são muitos, é preciso transformar
cada um deles em denúncia e em ação. Não
podemos permitir mais nenhum abuso por parte do Estado, seja do judiciário
ou da polícia. Some-se a esta luta pelas liberdades democráticas!
Contra a criminalização da pobreza, da juventude e dos
movimentos sociais!
Conheça
e participe!
O Movimento Londrinense Contra a Repressão é
uma frente aberta a todos aqueles que lutam pela manutenção
das liberdades democráticas (liberdade de manifestação,
expressão, de greve, de organização, etc.) e contra
a criminalização da pobreza, da juventude e dos movimentos
sociais.
Tem três frentes de atuação:
• COMUNICAÇÃO - a primeira barreira
contra a repressão é a visibilidade, assim cada ato repressivo
deve ser amplamente divulgado;
• JURÍDICA - com advogados e redes de
apoio que auxiliem nos trâmites legais, combatendo cada ação
arbitrária e abusiva;
• ARTICULAÇÃO - a ampliação
do movimento e o contato com outros grupos nacionais e internacionais
que defendem as liberdades democráticas e direitos humanos é
um elemento importante para denunciar os abusos cometidos em Londrina
e somar forças para combatê-los;
O funcionamento do movimento é democrático,
todos integrantes decidem coletivamente sobre as ações
a serem tomadas.
Entidades participantes:
ADUEL - Associação dos Docentes da UEL
ASSUEL - Associação dos Servidores da UEL
APP - Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Paraná
DCE/UEL - Diretório Central dos Estudantes da UEL
Centro Acadêmico de História
Centro Acadêmico de Ciências Sociais
Centro Acadêmico de Educação Física
Centro Acadêmico de Filosofia
Centro Acadêmico de Psicologia
Centro Acadêmico de Geografia
Centro Acadêmico de Serviço Social
Comitê pelo Passe Livre, Redução da Tarifa e Estatização
do Transporte Coletivo
SINDSERV - Sindicato dos Servidores Municipais de Londrina
POR - Partido Operário Revolucionário / Corrente Proletária
na Educação PSol - Partido Socialismo e Liberdade
PSTU - Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
UJS - União da Juventude Socialista
PCdoB -Partido Comunista do Brasil
PTdoB - Partido Trabalhista do Brasil
Prisão
e processo contra militantes do
Comitê pelo Passe Livre
Organizar e informar a população é
crime?
No dia 29 de outubro de 2007, militantes do Comitê
pelo passe livre, redução da tarifa e estatização
do transporte coletivo estavam no terminal, após entrarem pagando
a tarifa de R$2, e convidavam a população, por meio de
um boletim, para a manifestação do dia seguinte, como
parte da Semana Nacional de Luta pelo Passe Livre.
O chefe da segurança privada do terminal, Dejalma
Santos, tentou confiscar os boletins, mas como esta ação
era totalmente ilegal, os militantes não entregaram. Dejalma
chamou a PM, que agrediu um professor com torções no braço
e chute na boca, e estudantes com gravatas e tapas. Os policiais e seguranças
também agrediram verbalmente os militantes, inclusive com palavras
discriminatórias. Os boletins foram apreendidos e os militantes
foram presos, levados para a delegacia em um camburão.
Como a polícia não poderia prender ninguém
por panfletagem, teve de inventar um crime. Assim, alegou que o símbolo
do Comitê, que também é símbolo do Movimento
Nacional pelo Passe Livre, representava “apologia de crime”.
No boletim de ocorrência lê-se: “Ficando caracterizado
a contravenção de apologia ao crime, pois nos panfletos
apreendidos encontra-se um desenho na qual (sic) aparece a figura de
uma pessoa chutando uma catraca de Terminal Urbano, ou seja, dano ao
patrimônio público seria a sugestão da panfletagem”.
Agora, os militantes estão sendo processados.
Tal acusação é nitidamente absurda,
uma vez que o Comitê pelo passe livre, redução da
tarifa e estatização do transporte coletivo nunca defendeu
em seus materiais métodos violentos, de destruição
de patrimônio público, defendendo a via da organização
de estudantes e trabalhadores para conquistarem suas reivindicações
por meio de um movimento político.
É urgente somar forças para denunciar
este abuso, impedir a condenação dos militantes e reafirmar
o direito de expressão e organização.
O Caso
Zequinha
Três anos após o assassinato de Raphael
assassinos
fardados continuam impunes
Raphael Bezerra da Silva, aos 20 anos, foi
baleado por policiais militares em Londrina, na noite do dia 16 de novembro
de 2004 e morreu 41 dias depois. Raphael era filho do ex-jogador de
futebol do Londrina Esporte Clube José Carlos da Silva, o Zequinha.
O rapaz atuava como jogador semi-profissional no clube Sport Lisboa,
em Portugal. Na ocasião do assassinato, passava as férias
com a família, no Brasil.
Raphael teve 14 ferimentos à bala, no tórax,
braço e ombro, provocados por disparos de pistolas de alto calibre.
A operação desastrosa da RONE, movida pela busca de um
pneu e macaco roubados com os quais comprovadamente Raphael não
tinha nenhuma relação, foi cercada por irregularidades.
“Os PMs tentaram culpar meu filho dizendo que ele tinha uma arma
e tentou atirar neles. Os policiais não prestaram socorro, impediram
o atendimento do Siate, que foi até o local, e ainda o arrastaram
por 15 metros até uma viatura da RONE. Ele só foi atendido
duas horas depois. Já dentro do hospital tiraram a sua camisa,
que até hoje não sabemos onde está”, denuncia
José Carlos da Silva, pai de Raphael.
Outro fato que indica que policiais e possíveis
cúmplices procuraram ocultar e manipular provas foi que até
mesmo projéteis alojados no corpo de Raphael desapareceram enquanto
estava no Hospital sob escolta da polícia.
Apesar de ter sofrido ameaças para não dar seqüência
ao caso, Zequinha continua sua luta por justiça, para que os
assassinos de seu filho sejam punidos: “É inadmissível
que, depois de matarem meu filho com 14 tiros à queima-roupa,
estes policiais sejam absolvidos ou tenham penas brandas. Eles têm
que pagar pelo que fizeram, antes que mais pessoas inocentes sofram
também a mesma violência”.
Quatro policiais — Edney Ronaldo Gomes, Rangel
Barbosa da Cunha, Sérgio Fontanetti e André Luiz de Almeida
Figueiredo — são hoje réus no processo. Os dois
primeiros são acusados por homicídio doloso. Os outros
dois respondem pelo crime de fraude processual. Todos estão soltos.
O Movimento Londrinense Contra a Repressão,
do qual Zequinha faz parte, exige que os assassinos fardados sejam punidos.
Mais do que isso, busca consolidar um movimento para frear a criminalização
da pobreza, da juventude e dos movimentos sociais.
“A
morte de Jamys não pode morrer”
Jamys Smith da Silva era carregador no CEASA, respeitado
no trabalho, aos 20 anos era pai. No dia 15 de maio de 2005 estava com
amigos em casa, quando algum vizinho, incomodado com o som alto, acionou
a polícia. Segundo Sueli, mãe de Jamys, os PMs chegaram
no local e exigiram que o jovem abaixasse o volume, o que foi feito.
Entretanto, Jamys saiu de sua casa por alguns minutos e os amigos aumentaram
novamente o volume do som. A Polícia Militar retornou e, ao chegarem
na rua, os PMs agrediram violentamente moradores, inclusive pessoas
que estavam no bar da esquina da casa.
Ao encontrarem Jamys os policiais o agrediram brutalmente,
com uso de cacetetes e chutes na cabeça. Sueli ficou sabendo
da violência e foi correndo para o local, presenciou parte da
barbaridade que fizeram com seu filho. O jovem foi colocado na viatura
policial já desacordado. A mãe foi até a Delegacia
de Polícia que, supostamente, haviam levado seu filho, porém
não o encontrou. Obteve a informação de que ele
estava no Pronto Socorro, ao chegar lá viu os policiais exigindo
que o hospital aceitasse a entrada de Jamys, entretanto, quando ela
foi até a viatura viu que ele já estava morto.
Na época, o comandante da polícia chegou
a dizer que a morte deste jovem foi um “acidente de trabalho”.
Até hoje nenhum dos envolvidos foi condenado, continuam livres,
andando entre nós.
Jamys foi mais uma vítima das atrocidades cometidas
pela violência policial em todos os cantos deste país.
Em particular, Jamys, vivia na periferia de Londrina, por isso, o tomamos
com um dos casos que materializa a urgência da mobilização
da população londrinense contra as atrocidades do Estado
repressor, na figura de sua polícia.
A emoção deve trazer consigo uma carga
de revolta e, por conseguinte, a revolta deve transformar-se racionalmente
em ações concretas. Como a mãe de Jamys falou entre
lágrimas: “a morte do meu filho não pode morrer”.
Lutemos contra este tratamento dado aos jovens e trabalhadores que moram
nas periferias. Chega de criminalizar a pobreza e a juventude.
Na corda
bamba da democracia
Uma das bandeiras do movimento estudantil na Universidade
é a democracia no campus. Para quem está alheio à
realidade estudantil pode parecer um paradoxo em plena conjuntura de
consolidação das “liberdades democráticas”,
os universitários levantarem tal bandeira. Seriam os estudantes
um grupo retrógrado da comunidade acadêmica preso a bandeiras
que remontam à ditadura militar?
Em 2007 formou-se o Movimento Londrinense Contra a
Repressão, em Foz do Iguaçu existe o Comitê Contra
a Criminalização dos Movimentos Sociais; em outras cidades
criam-se organizações e debates semelhantes que partem
da necessidade de se organizar contra as forças repressivas.
Assim como acontece com vários movimentos sociais,
o movimento estudantil vem sofrendo ataques das autoridades por lutar
por outro projeto de Universidade, por outra sociedade. A repressão
acontece de várias formas, desde a ação policial
à depreciação moral. Para as autoridades não
basta chamar a polícia, é preciso ridicularizar as concepções
dos estudantes, como fez o reitor da UEL indo ao jornal Folha de Londrina
para dizer que os estudantes contrários ao “Plano de Segurança”
eram repetentes financiados por traficantes. Cabe ressaltar que a luta
contra o “Plano de Segurança” é parte do combate
à aplicação da lógica militar-repressiva
na universidade.
Em outros casos a repressão assume proporções
maiores. Alguns moradores da Casa do Estudante foram intimados a prestar
depoimentos por suposto consumo de drogas no local, esses estudantes
participaram em muitos atos como o “Pula catraca no RU”
em 2007. Também os moradores foram surpreendidos com ameaças
policiais na Casa do Estudante, em outro caso um estudante foi abordado
no terminal central de forma truculenta sem qualquer motivo que justificasse
a ação policial. A incidência desses casos revela
que as autoridades utilizam-se de diversas formas para incriminar o
movimento.
Também em 2007 tivemos a invasão da polícia
no campus para “enquadrar” uma manifestação
dos estudantes contra o monopólio que a rede de lanchonetes “Pingüim”
quer estabelecer na UEL. Mas para as autoridades não basta chamar
a polícia e desqualificar o movimento estudantil, é preciso
vigiá-los a todo o momento, eis que se espalham câmeras
por toda a Universidade, até mesmo no Anfiteatro do CCH local
muitas vezes escolhido para intervenções e manifestações
estudantis.
Longe de um delírio estudantil, a democracia
no campus é uma reivindicação necessária
para que os estudantes possam avançar no projeto de outra Universidade
e Sociedade.
Patrulha
escolar
Estudantes submetidos a vexame e constrangimento
“Assisti horrorizada no jornal da tevê
a policia invadindo a escola em massa como se fosse um presídio
ou uma rebelião, os alunos sendo abordados em suas classes
pelos policiais, tendo suas mochilas remexidas e sues corpos tocados
na procura de sabe-se lá o que como se fossem bandidos pegos
em uma caçada policial! “ (Carta de uma mãe no
JL de 07/11/07)
A carta de uma mãe transcrita acima revela a
revolta provocada pela violência policial ocorrida durante a revista
que, de acordo com a própria Folha de Londrina de 6 de novembro
de 2007 “surpreendeu” a todos.
“Cerca de 200 homens, acompanhados pelo coordenador
estadual das patrulhas escolares do Paraná, major Loemir Mattos
de Souza, realizaram vistorias simultâneas em todas as salas
de aula do colégio, com o objetivo de buscar e apreender materiais
não pedagógicos, armas ou até mesmo drogas.
Distribuídos em 38 salas, cerca de 1,5 mil alunos estudam no
colégio no período da manhã e todos tiveram suas
bolsas vistoriadas, além de terem passado por vistoria pessoal”
(Folha de Londrina, 6 de novembro de 2007)
Não foi a primeira vez que estudantes de escolas
pública são submetidos a tratamento vexatório.
Em várias oportunidades, a patrulha escolar entrou nas escolas
para revistar e ou prender estudantes em flagrante desrespeito ao Estatuto
da Criança e do Adolescente, que afirma ser crime “submeter
criança ou adolescente sob sua autoridade a vexame ou constrangimento”
(art. 232).
Estes procedimentos vêm se tornando corriqueiros
e são parte de uma ideologia da violência máxima
praticada pelas autoridades como suposto método para coibir a
violência. Na verdade, esta violência é descarregada
sobre estudantes de periferias e de escolas públicas, pois, até
onde se sabe, nenhuma escola particular foi invadida com revistas semelhantes.
Polícia
espanca e prende comerciantes na Vila Casoni
No dia 19 de fevereiro de 2008, no fim do expediente,
proprietários e funcionários de uma loja de motos na Vila
Casoni estavam guardando os veículos no prédio. Foram
interrompidos pelo soldado Cunha que disse que iria multar uma moto
que estava sendo manobrada. Francisco Carlos dos Santos tentou convencer
o soldado de que estava apenas guardando o veículo após
um dia de trabalho. O soldado mandou o comerciante calar a boca. “Na
mesma hora, me apresentei como proprietário do estabelecimento
e disse que não iria me calar, pois não tinha feito nada
de errado e nem mesmo faltado o respeito ou desacatado o mesmo.O soldado
disse que se não me calasse iria me prender por desacato. Mas
eu disse que não via motivo algum para isto e que estava no meu
direito de argumentar e não iria me calar”, explica Francisco.
Francisco ligou para o 190 para que a polícia
enviasse uma viatura para conter o soldado Cunha, que estava nervoso
e desequilibrado, neste momento o soldado começou a golpear o
comerciante com as mãos, caindo no chão sobre ele. Quem
estava ao redor tentou impedir a continuidade das agressões e
foram ameaçados pelo soldado que sacou sua arma, apontou para
os presentes e chamou reforços.
Várias viaturas chegaram, inclusive na contramão
(lembrem-se, a queixa do policial era uma manobra da moto na calçada),
até o Choque estava presente. Absurdamente, Francisco, que era
a vítima da violência policial, foi algemado e preso. Outro
comerciante, André, disse: “Polícia em vez de prender
ladrão fica prendendo trabalhador!”. Francisco conta a
seqüência: “A partir deste momento instalou-se o caos
no local, os policiais do choque foram todos para cima deste cidadão
e começaram a agredi-lo com violência. O André correu
para dentro de uma vidraçaria e ao persegui-lo, os policiais
quebraram quase que toda loja e continuaram a espancar o cidadão”.
A atuação abusiva do soldado Cunha não
era novidade, dias anteriores já havia aplicado multas injustas
e irregulares.
Francisco já fez as denúncias aos superiores
do soldado Cunha, mas nenhuma providência foi tomada, ainda mais
que os policiais são julgados por seus próprios colegas.
A única forma de frear essas demonstrações de abuso
de autoridade e violações dos direitos humanos é
criar um movimento forte.